A Perícia Médica no centro do debate sobre a fila: O que o INSS deve fazer?
Troca na presidência do INSS reacende debate sobre a fila e expõe peso da Perícia Médica Federal
A mudança no comando do Instituto Nacional do Seguro Social recolocou um tema antigo no centro da discussão: quem, de fato, responde pela parte mais sensível da fila de benefícios.
No dia 13 de abril, o governo anunciou Ana Cristina Viana Silveira como nova presidente do INSS. Segundo a comunicação oficial, ela chegou com a missão de acelerar a análise de benefícios.
A troca ganhou novo peso depois da reação do agora ex-presidente, Gilberto Waller.
Em entrevista repercutida por diferentes veículos, ele rebateu a leitura de que a fila seria, essencialmente, um problema interno do INSS.
O ponto central da fala foi direto: a maior parte dos requerimentos com espera superior a 45 dias depende de perícia médica, e essa etapa está sob responsabilidade do Ministério da Previdência Social.
Essa distinção institucional é importante. Hoje, a Perícia Médica Federal não integra a estrutura administrativa do INSS.
No desenho atual, ela está vinculada ao Ministério da Previdência Social, por meio do Departamento de Perícia Médica Federal, responsável por dirigir, normatizar e coordenar técnica e administrativamente essas atividades.
O próprio ministério, em publicações recentes, descreve as perícias como ações realizadas pela Perícia Médica Federal do MPS, enquanto o INSS responde por outras etapas do atendimento e da concessão.
O que a fala de Gilberto Waller revela
A fala do ex-presidente não deve ser lida apenas como resposta à exoneração. Ela também expõe um ponto estrutural: a fila previdenciária não é um bloco único.
Parte dela está relacionada à análise administrativa de documentos e requerimentos.
Outra parte, porém, depende de agenda pericial, disponibilidade de peritos e capacidade operacional da Perícia Médica Federal.
Se uma parcela relevante dos casos pendentes exige exame médico-pericial, então o tempo de espera também reflete o desempenho, a estrutura e a capacidade de resposta da área pericial.
Por que isso importa para o médico que acompanha a PMF
Para quem acompanha a carreira de Perito Médico Federal, essa movimentação tem valor analítico.
A troca na presidência do INSS, somada à fala de Gilberto Waller, reforça que a perícia segue no centro do funcionamento da Previdência.
Em outras palavras, a estrutura pericial volta ao foco, seja pela necessidade de ampliar atendimento, seja pela pressão por recomposição de quadros.
O INSS continua sendo a face mais visível do atendimento previdenciário.
Mas, a fila de benefícios por incapacidade envolve uma engrenagem compartilhada, em que a perícia tem papel decisivo.