Perícia Médica Federal: carreira segue em evidência em 2026
A carreira de Perito Médico Federal (PMF) voltou ao centro do debate entre médicos que procuram alternativas de longo prazo ao modelo assistencial tradicional. Em live do MedConcursos, o Dr. João Nicolle conversou com a Dra. Treisy Resende, ex-aluna e hoje servidora na PMF, sobre três pontos: o papel da perícia na Previdência Social, os gargalos estruturais do quadro de servidores e os sinais que 2026 pode trazer na agenda de recomposição e de novos concursos.
Na prática, a Previdência Social funciona como um sistema de provisão de direitos para milhões de brasileiros, especialmente quando há incapacidade para o trabalho. Nesse cenário, a Perícia Médica Federal ocupa uma função técnica central: avaliar, com base em critérios e documentação, a existência de incapacidade e seus impactos funcionais. Por isso, quando há déficit de profissionais, o efeito aparece na ponta: demanda acumulada, aumento de filas e adoção de medidas de contingência.
Da assistência à perícia: a trajetória de Treisy Resende
Um dos momentos mais esclarecedores foi o relato da Dra. Treisy sobre a decisão de mudar de rota. Segundo ela, sua trajetória foi diferente do caminho mais comum entre colegas de graduação, geralmente direcionado à residência médica. Antes de se formar em medicina, Treisy já tinha experiência no serviço público como enfermeira concursada, o que reforçou sua valorização de pilares que sustentam uma carreira no longo prazo: previsibilidade, estabilidade e planejamento.
Após a graduação, ela relata ter vivido a rotina intensa de plantões e perceber que aquele modelo de vida não era o que desejava para os anos seguintes. A descoberta da PMF veio por um anúncio online e, mesmo com pouca informação inicial, ela decidiu estudar a carreira com método e entender o que seria necessário para competir em alto nível.
Um ponto destacado por Treisy foi a importância da preparação pré-edital. O conteúdo do concurso, em geral, inclui Direito Previdenciário, Administrativo, Constitucional e Trabalhista, áreas que não fazem parte da formação médica tradicional. Para ela, começar antes do edital foi determinante para preencher essa lacuna e chegar competitiva na prova.
O cenário do sistema: demanda crescente e pressão por recomposição
Durante a live, também foi ressaltado que o sistema previdenciário passou longos períodos sem concursos, o que teria contribuído para a redução do quadro de servidores ao longo do tempo. Ao mesmo tempo, a demanda por serviços cresceu e mudanças normativas ampliaram frentes de atuação e interfaces com outros órgãos. Em termos práticos, o diagnóstico apresentado foi objetivo: mais atribuições e mais demanda, com menos gente, aumentam a pressão sobre o sistema.
Nesse contexto, também entrou na discussão o concurso mais recente e a expectativa de convocações adicionais. A avaliação foi de que, mesmo com reforços, a recomposição completa do quadro tende a ser um desafio diante do volume de demanda.
Por que 2026 entra no radar
Quando medidas temporárias possuem prazo definido, cresce a necessidade de uma resposta estrutural. Se a demanda continuar alta e a recomposição permanecer insuficiente, a discussão sobre convocações e um novo concurso tende a seguir no radar em 2026.
Para o médico que considera a PMF como projeto, a orientação foi clara: preparação pré-edital. Não como urgência artificial, mas como lógica. As disciplinas são específicas, o conteúdo exige constância e as normativas mudam com frequência, o que reforça a necessidade de estudo organizado e atualização.
Para quem a PMF faz sentido
A fala da Dra. Treisy ajudou a posicionar a carreira com maturidade. Segundo ela, a PMF não deve ser tratada como “atalho”, “bico” ou escolha exclusivamente financeira. Em geral, faz mais sentido para quem:
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busca estabilidade e previsibilidade como projeto de vida;
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quer construir uma trajetória com possibilidade de crescimento técnico e profissional.