Déficit de peritos médicos faz INSS ampliar uso do Atestmed e reforça debate sobre novo concurso

Novo modelo aumenta a pressão e evidencia que a recomposição da Perícia Médica Federal continua sendo tema central na Previdência.

O lançamento do Novo Atestmed pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS, oficializado nesta semana, tem um objetivo claro: acelerar a análise dos pedidos de benefício por incapacidade temporária. Na prática, a medida amplia o uso da análise documental e permite que a concessão ou o indeferimento do benefício seja decidido com base em parecer fundamentado nos documentos apresentados pelo segurado.

Com o Atestmed, o principal impacto é a possibilidade do segurado ter o pedido decidido sem precisar passar, de imediato, por perícia presencial. Antes, o tempo de benefício era de 30 dias. Hoje, 60. Em janeiro de 2026, o tempo médio entre o agendamento e a realização da perícia estava em 66,3 dias, com 1,2 milhão de segurados aguardando atendimento em todo o país.

Esse dado ajuda a entender por que o governo segue recorrendo a mecanismos paralelos de ampliação de capacidade. Só em março de 2026, a Previdência anunciou um mutirão com quase 13 mil perícias em 12 estados e, poucos dias depois, outro esforço com mais de 37 mil atendimentos em 132 Agências da Previdência Social. Nos dois casos, o atendimento foi organizado com apoio da chamada Perícia Conectada, modalidade de teleatendimento usada especialmente em regiões com escassez de profissionais peritos.

Em outras palavras, o Novo Atestmed expõe um problema estrutural: a rede segue operando sob forte pressão. Quando o sistema precisa ampliar análise documental, realizar mutirões nacionais e expandir teleatendimento para regiões com carência de peritos, o que aparece de fundo é a insuficiência de capacidade presencial para absorver toda a demanda com a velocidade desejada. Essa leitura é reforçada pelo próprio histórico recente da carreira. Após quase 15 anos sem concurso, o governo nomeou 500 novos peritos médicos federais em 2025, com prioridade para Norte e Nordeste, regiões que concentravam maiores filas e déficit de servidores.

O debate sobre recomposição do quadro, aliás, não é novo.

Também chama atenção o fato de que a reformulação do Atestmed dialoga com recomendações do Tribunal de Contas da União. Em novembro de 2025, o TCU apontou fragilidades de controle e determinou ajustes para tornar o modelo mais seguro, confiável e eficiente. Entre as determinações, o tribunal destacou a necessidade de permitir análise de mérito pela perícia médica quando os documentos não forem suficientes para comprovar a incapacidade.

Para quem acompanha a carreira de Perito Médico Federal, a mensagem é objetiva: o Novo Atestmed não diminui a relevância da perícia médica. Pelo contrário. E, justamente por isso, reforça um ponto que o próprio cenário previdenciário vem deixando claro há meses: sem recomposição contínua do quadro, inclusive por novos concursos, a tendência é que soluções emergenciais e mecanismos de flexibilização sigam sendo usados para conter a fila.

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