O que a nota de corte do último concurso da Perícia Médica Federal pode te ensinar sobre antecedência?
A Perícia Médica Federal (PMF) costuma entrar no radar de muitos médicos por um motivo simples: é uma carreira pública com previsibilidade, impacto direto na vida das pessoas e um escopo de trabalho que é mais sustentável do que viver refém de plantões.
Só que existe um detalhe que separa “interesse” de “vaga”: competitividade.
No concurso mais recente (2024/25), o Ministério da Previdência Social informou 22.039 inscrições para 250 vagas iniciais, com concorrência nacional de 88 candidatos por vaga.
NOTA DE CORTE POR ESTADO (CONCURSO 2024/25):

UF: Unidade Federativa
Ampla: Ampla Concorrência
PCD: Pessoa com Deficiência
PN: Pessoa Negra
*SC: PN com 64,00 por sub judice
Esse cenário ajuda a entender por que a frase “edital não avisa” faz tanto sentido na prática.
Antes de tudo: o que “nota de corte” realmente significa?
A nota de corte não é uma “meta oficial” publicada previamente. Ela é um resultado: a pontuação do último candidato que ficou dentro do limite relevante (por exemplo: dentro das vagas, dentro do cadastro, dentro do grupo convocado para a etapa seguinte, conforme o edital).
Em concursos muito disputados, a nota de corte tende a subir por dois motivos:
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Muita gente bem preparada concorre ao mesmo tempo. 314 alunos do MedConcursos foram aprovados neste certame, dos 765 aprovados.
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O modelo de prova premia consistência (no caso da PMF, a banca foi o Cebraspe, com prova objetiva e etapa de títulos).
Em resumo: nota de corte não se adivinha com ansiedade; se enfrenta com preparação antecipada.
O que os números do concurso mostram (e o que eles “ensinam”)
Quando um concurso tem alta procura, ele vira um filtro: não basta “querer muito”. A PMF tende a selecionar quem está pronto para:
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fazer prova com estratégia e consistência;
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sustentar rotina de estudo por tempo suficiente;
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revisar e treinar com método.
Não é uma avaliação moral. É um fato operacional: vaga concorrida “pede base”.
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quando o edital sai, o relógio já está correndo;
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quem começa só depois do edital, em geral, entra na fase mais cara: a de “correr atrás do prejuízo”.
A lição central: antecedência não é estudar “mais”, mas é estudar “melhor”
Aqui entra um ponto que muda o jogo: antecedência não serve apenas para acumular conteúdo. Ela serve para construir mecanismo de prova.
E é aqui que o método faz diferença.
Direcionamento
Sem direcionamento, o médico estuda “muita coisa” e treina “pouco do que cai do jeito que cai”. Direcionamento significa:
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entender o edital e o perfil da banca;
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saber priorizar assuntos;
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ter clareza do que é base.
Conteúdo
Conteúdo, aqui, não é assistir aula sem fim. É montar um repertório que:
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tem material revisável;
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permite voltar nos pontos fracos com rapidez.
Treinamento
Treinar é o que transforma conhecimento em ponto.
Na prática, treinamento é:
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fazer questões com correção ativa;
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aprender com erro (sem repetí-lo);
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simular prova para calibrar tempo, disciplina e consistência.
Repetição
Repetição é o que consolida. Quem “só passa uma vez” pelo conteúdo costuma esquecer rápido e oscilar muito na pontuação.
Repetição bem feita é:
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revisão espaçada;
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reestudo do que errou;
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refazer listas e simulados com método.
Essa sequência (Direcionamento, Conteúdo, Treinamento e Repetição) é o caminho mais realista para chegar no “dia D” com sensação de controle, não de loteria.
Quando um concurso reúne dezenas de milhares de inscritos, o recado não é “desista”. O recado é: não trate uma carreira disputada como um projeto de última hora.
A PMF é um espaço que, na prática, tende a ser ocupado por quem chega com base, treino e repetição. E isso não nasce na semana do edital. Nasce antes.
Se você quer disputar de verdade, a pergunta que vale é direta: sua preparação já começou, ou você está esperando o edital te dar permissão?
