Três Décadas de Missão: a história que inspira uma nova Geração de médicas
A história da Coronel Médica Cláudia Lima Gusmão Cacho é daquelas que simbolizam mais do que uma promoção: representam um tempo de transformação. Pediatra, natural do Recife (PE), aos 57 anos, ela foi escolhida pelo Alto Comando do Exército, após votação realizada na última terça-feira (24), para ascender a um novo posto na hierarquia militar. Para que a promoção se concretize, o nome ainda depende de confirmação por decreto do Presidente da República, um rito institucional que tradicionalmente confirma a indicação feita pelo Alto Comando.
Mas a relevância dessa escolha vai além do protocolo.
Cláudia ingressou no Exército em 1996 e construiu, ao longo de quase três décadas, uma carreira sólida na área de saúde da Força. Não se trata apenas de tempo de serviço, mas de trajetória. Entre as funções de maior responsabilidade que ocupou, esteve à frente da direção do Hospital de Guarnição de Natal (RN) e do Hospital Militar de Área de Campo Grande (MT), posições que exigem liderança estratégica, gestão de pessoas, capacidade técnica e equilíbrio emocional.
Histórias assim não nascem do acaso. São construídas com preparo, disciplina e visão de longo prazo.
A ascensão da Coronel Cláudia também dialoga com um movimento institucional mais amplo. Hoje, cerca de 37 mil mulheres integram as Forças Armadas, representando aproximadamente 10% do efetivo. A meta é ampliar essa presença nos próximos anos. A ocupação de espaços estratégicos por mulheres na carreira militar não é apenas um dado estatístico, é um sinal de amadurecimento institucional e de reconhecimento da competência feminina em ambientes historicamente masculinos.
Para médicas que observam esse cenário, a carreira como Oficial Médica pode representar mais do que um uniforme. Representa segurança institucional e previsibilidade. A remuneração é prevista em lei, a progressão é estruturada, há possibilidade real de planejamento de longo prazo e a prática médica ocorre em ambientes organizados, com equipes estruturadas e infraestrutura adequada. Em um mercado de saúde cada vez mais pressionado por instabilidades e sobrecargas, esse fator ganha peso.
Há também um aspecto muitas vezes pouco discutido, mas profundamente relevante: o amparo institucional em momentos decisivos da vida pessoal. Em entrevista ao Podcast Eu, Médico Militar, O Além da Farda, a Capitão Médica Aline, ortopedista especialista em mão e atualmente alocada no Hospital Militar de Área de Recife, compartilhou um relato que ecoa entre muitas profissionais: desde o momento em que soube que estava grávida, foi amparada pelo Exército, permaneceu seis meses afastada com remuneração integral e teve a segurança necessária para se dedicar integralmente ao filho.
Esse tipo de estrutura não é detalhe, é política institucional.
A trajetória da Coronel Cláudia reforça que a medicina militar é construída com constância, mérito e compromisso. Ela mostra que é possível unir vocação médica, liderança e serviço à nação em uma mesma missão. A farda não substitui o jaleco; ela amplia a responsabilidade e o alcance do cuidado.
Para médicas que já se perguntaram se existe espaço para elas na carreira militar, talvez a resposta esteja justamente aqui: existe caminho, existe reconhecimento e existe futuro.
A medicina militar também é para você.
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Matéria escrita por:
Professora Amanda Braga, coordenadora pedagógica da MedConcursos, com mais de 10 anos de experiência na gestão educacional do ensino superior e especialista em Neuroaprendizagem.
Fonte:
ALINE, Depiante . Depoimento. In: EU, Médico Militar – O Além da Farda. [Med Concursos], 2025. Podcast. Disponível em: <ALÉM DA FARDA #EP01 | Entre a Farda e o colo: A missão de ser mulher, médica, militar e mãe.>. Acesso em: 27 fev. 2026.