Entre biomas e missões: como os estágios do Exército Brasileiro formam seus combatentes

Os estágios oferecidos pelo Exército Brasileiro configuram-se como instrumentos estratégicos de formação e especialização profissional, concebidos para preparar o militar para atuar em diferentes biomas nacionais e em especialidades operacionais de elevada complexidade. Ao longo da carreira, o militar, incluindo o médico militar, pode candidatar-se a essas formações de acordo com seu perfil profissional, interesses individuais e, sobretudo, com as demandas institucionais da Força.

Em geral, os estágios apresentam duração concentrada, em torno de uma semana, e são marcados por alta intensidade física, técnica e psicológica. Essa configuração não é fortuita: trata-se de um modelo formativo que privilegia a imersão total em cenários operacionais reais, favorecendo a aprendizagem experiencial e o desenvolvimento de competências essenciais à atividade militar. Entre os objetivos centrais dessas formações destacam-se o fortalecimento de capacidades relacionadas à sobrevivência, combate, mobilidade, resgate, inteligência operacional e proteção, sempre em consonância com as especificidades ambientais e táticas de cada contexto.

No Estágio de Adaptação à Caatinga (EAC), o militar é submetido às condições extremas desse bioma, caracterizado por altas temperaturas e restrição hídrica, aprendendo técnicas específicas de combate e sobrevivência. Já o Estágio de Adaptação à Vida na Selva (EAVS), realizado no ambiente amazônico, aprofunda conhecimentos voltados à sobrevivência em selva e é amplamente reconhecido pelo elevado grau de exigência física e técnica imposto aos instruendos.

O Estágio Básico do Combatente de Montanha (EBCM), por sua vez, prepara o militar para operar em terrenos íngremes e de difícil acesso, com ênfase em infiltração, exfiltração, resgate de feridos e domínio de equipamentos especializados. De modo semelhante, o Estágio de Adaptação ao Pantanal capacita o combatente para atuar em áreas alagadas, priorizando técnicas de patrulha, sobrevivência, travessia de cursos d’água e adestramento aquático, indispensáveis àquele bioma.

Além das formações voltadas à adaptação ambiental, o Exército Brasileiro oferece estágios direcionados a especialidades operacionais. O Estágio Básico do Combatente Aeromóvel (EBCA) habilita o militar a participar de operações com helicópteros, contemplando técnicas de rapel, embarque, desembarque e resgate. O Estágio de Caçador Militar forma combatentes especializados em tiro de precisão, inteligência, progressão furtiva e aquisição de alvos. Já o Estágio de Segurança e Proteção de Autoridades qualifica o militar para integrar equipes responsáveis pela proteção de autoridades, abrangendo conteúdos como tiro tático, direção defensiva e evasiva, além de planejamento operacional.

Por fim, destaca-se que o militar aprovado no processo seletivo para qualquer estágio recebe ajuda de custo para deslocamento até o local de instrução. Esse apoio logístico assegura condições adequadas de participação e reforça o caráter institucional, organizado e equitativo do processo formativo, evidenciando o compromisso do Exército Brasileiro com a qualificação contínua de seus quadros.

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Fonte:

SAVAREGE, Yuri. Informação verbal. [Entrevista concedida em 02.01.26].

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